quarta-feira, 26 de agosto de 2009

SERÁ QUE ESTAMOS FAZENDO A NOSSA PARTE...?


Estamos vivendo um momento em que o ceticismo atormenta muita gente, o que pode ser atribuído em parte ao fato de as coisas se tornarem obsoletas “num piscar de olhos”, isto é, nada mais existe de duradouro e a transitoriedade passou a ser um conceito que pode ser aplicado a quase todas as coisas e mercadorias de uso corrente. Nesse contexto, um aparelho eletrônico qualquer, que é o top de linha de hoje “vira lixo no dia seguinte”, numa torrente que arrasta a quase todos com poucas exceções à busca desesperada pelo ter, pela aquisição do celular que é o tudo de bom da vez, do mp3, mp4, mp5.....mp200.... Enfim, mp ao infinito. Não há limites para essa febre que alcança a todas as idades, pois as crianças já nascem consumistas e aprendem desde cedo com a televisão a conjugar o seu primeiro verbo: comprar. Essa é talvez a primeira palavra aprendida pela quase totalidade das crianças que são submetidas diariamente a esse bombardeio que são os intervalos comerciais da televisão, especialmente nos canais de programação infantil. O mais preocupante, porém é que não são apenas as mercadorias, as tecnologias e etc. que passam sem nos darmos conta disso...

Voltando ao que eu ia dizendo no parágrafo anterior e fui interrompido pelas minhas divagações: junto com toda essa febre de consumo em que tudo é transitório, me parece que também se tornaram transitórios, igualmente efêmeros, os sentimentos que os seres humanos nutrem uns pelos outros. O interesse, a meu ver, move as relações humanas modernas e todos só valem pelo que tem e não mais pelo que são. O ter é o verbo da moda, enquanto o ser vai tornando-se cada vez mais obsoleto. Será isso uma conseqüência desses novos tempos? Pode ser...
Junto a toda essa degradação dos sentimentos que na sociedade moderna se tornaram tão descartáveis como os objetos que compramos, vem à reboque um fenômeno que tem sobre a sociedade conseqüências ainda mais drásticas. Estou falando da atual ausência de valores e do fato de muitas pessoas sequer saberem o significado da palavra ética. Para muitos, não existe nenhum problema em comprarem um objeto muito mais barato que o seu preço normal de alguém que, der repente o aborda na rua, sendo que se esse mesmo objeto se fosse comprado numa loja teria direito a nota fiscal e a garantia que são devidos a todo cidadão. Para essas pessoas, pouco importa a origem do bem adquirido, importando somente a vantagem que eventualmente possam ter com esse tipo de transação. Se pensassem um pouco no que pode significar uma atitude como essa, se refletissem apenas um pouquinho chegariam à conclusão de que existe a hipótese de estarem comprando objetos de origem ilícita e dessa forma, estimulando o crime, dando fôlego a diversos tipos de ações criminosas.

Por incrível que pareça, ouço muitas pessoas que se julgam muito honestas e atitudes como as descritas acima são comumente por elas praticadas e consideradas como algo absolutamente normal. São as mesmas pessoas que subornam policiais para se livrar de uma eventual multa e acham isso uma atitude corriqueira, que não afetará em nada a sua integridade de “cidadão honesto” e cumpridor dos seus deveres. São tidos como modelos e dizem que ninguém jamais poderá levantar qualquer suspeita contra eles, pois nunca fugiram do padrão de honestidade que consideram normal em nossa sociedade. Ai é que mora o perigo! São esses “pequenos desvios” que acabam criando uma bola de neve. Não podemos cobrar dos nossos filhos e até mesmo dos políticos que elegemos atitudes incompatíveis com o nosso modo de agir no dia a dia. Temos que ser verdadeiramente cidadãos exemplares e não apenas fazer de tudo para que pareçamos como tais.

Sabemos que é grande a tentação de cairmos nas armadilhas que encontramos quando se nos afigura mais fácil resolvermos determinadas situações por meio de um suborno que nos livraria de embaraços futuros. Nesse caso, temos que procurar andar dentro da lei para evitar tais acontecimentos. Quando adquirimos algum objeto de origem duvidosa é sempre bom lembrar que poderemos ser a próxima vitima, ou seja, poderemos ser roubados para que outrem venha a comprar o produto desse mesmo roubo, alimentando essa perigosa engrenagem. Se formos pensar bem somos indiretamente culpados, pois alimentamos tal situação. Não podemos considerar como normais atitudes que estimulam o crime e se tornam um verdadeiro câncer para uma sociedade tão carente de valores como a nossa. Temos que ensinar para os nossos filhos que a honestidade passa pela resistência a situações como essas. Não podemos ensinar os nossos filhos, os nossos alunos, sem que haja da nossa parte a reprovação sistemática de tais ações em nosso cotidiano. Só assim estaremos fazendo a nossa parte para criarmos uma sociedade melhor.

Francisco Lima


sexta-feira, 21 de agosto de 2009

CABRAL, O GRANDE DEMAGOGO...

Cabral, o grande demagogo...

Há quase 15 anos praticamente sem aumento salarial, os professores da rede estadual do Rio de Janeiro aguardavam com ansiedade a incorporação da gratificação do programa nova escola, abono que era concedido aos professores e profissionais da área de educação durante toda a era Garotinho (incluindo a gestão de Rosinha). Tal adicional era concedido em função do desempenho das escolas e se baseava em alguns parâmetros de qualificação, sendo que a gratificação poderia variar entre 100 e 435 reais. Sendo assim, o adicional só contemplava quem estivesse na ativa, excluindo aposentados e pensionistas.

Quando o atual governador, Sérgio Cabral, estava em campanha ele prometeu que daria um bom aumento para os professores e teria como prioridade absoluta a incorporação da gratificação do programa nova escola. Sergio Cabral já tinha algum conhecimento das finanças do estado, pois pertencia ao mesmo partido que a governadora que o precedera. E quando eleito todos os detalhes da administração do estado lhe fora passado durante o chamado governo de transição. Ou seja, a equipe de Cabral já tinha conhecimento do que era ou não possível fazer e, por conseguinte, o novo governador já tinha consciência das possibilidades de cumprir ou não todas as promessas feitas. Ainda assim, ele continuou garantindo que cumpriria todas as suas promessas de campanha, sendo que a demanda dos professores seria uma prioridade.

Mas, palavras o vento leva e promessas de políticos, na grande maioria das vezes, só existem como proposição para alcançar determinado fim. E a finalidade de todo político ou candidato a cargo eletivo é conseguir alcançar o sucesso nas urnas e para isso, não há medida de esforços. Tal pratica é baseada, supostamente, em uma teoria que é atribuída a Maquiavel e está calcada na frase: os fins justificam os meios. Utilizando-se de tal proposição os políticos quase sempre sabem de antemão da impossibilidade completa de cumprirem muito do que prometem durante a campanha, mas para tais políticos o que importa é conseguirem o seu intento, mesmo que para isso precisem mentir, enganar e até, em alguns casos, lançarem mão de subterfúgios ilegais como a compra de votos, a fraude eleitoral entre muitas outras coisas ilegítimas e inadmissíveis em uma democracia.

O caso de Sergio Cabral pode ser enquadrado no que é mais comum existir entre os políticos brasileiros, isto é, pode ser que ele tenha prometido muito mais do que era possível cumprir. Acredito, entretanto, que no caso especifico da educação, daria para ele cumprir tudo o que prometera durante a campanha eleitoral, bastando para isso que cumpra a lei investindo todo o dinheiro destinado a educação apenas nesse setor e não para atender outras demandas. Ou seja, se fossem investidos os 25% das arrecadações com impostos do estado do Rio de Janeiro mais os repasses federais eu acredito que daria para fechar a conta da educação até com sobras, mas isso não vem acontecendo há muito tempo.

A tão propalada incorporação que foi amplamente alardeada na imprensa pelo governador como um grande feito não passa de uma farsa. Se for aceita da maneira que foi proposta no projeto de lei encaminhado a ALERJ acarretará em perdas salariais significativas no futuro para os professores. De acordo com o PL encaminhado à casa legislativa do Rio de Janeiro o interstício de 12% entre os níveis salariais passaria a ser de 7,5%, ou seja, os trabalhadores perderiam uma conquista histórica alcançada com muito suor e teriam em troca um aumento salarial de 435,00 R$ dividido em 7 parcelas, ou seja, esta quantia seria paga até 2015 com parcelas tão minúsculas que em 2010 chegaria a ser de 2,47R$ em muitos casos. De acordo com o jornal o dia o prejuízo para os professores de nível 9 com a mudança de percentual entre os níveis será de 639,49R$, isto é, teriam prejuízos superiores ao suposto aumento dado com a incorporação. Não podemos deixar de considerar também o fato de que não há previsão de mais nenhum aumento além da incorporação até o ano de 2015.

Podemos, por todas essas razões, concluir que o nosso governador é um grande demagogo, se utilizado da imprensa para alardear suas falsas promessas sempre objetivando ganhos políticos em todas as suas atitudes. Nas palavras de Bertrand de Jouvenel o demagogo utiliza a arte de conduzir habilmente as pessoas ao objetivo desejado, utilizando os seus conceitos de bem, mesmo quando lhes são contrários. Sergio cabral, nesse sentido é um perfeito demagogo.


Francisco Lima

domingo, 16 de agosto de 2009

UMA HERANÇA NEFASTA...


Estava eu refletindo sobre alguns dados que mostram o aumento crescente dos investimentos em segurança publica no Brasil e não pude deixar der associar tal situação, principalmente, a um período histórico específico. Vejamos primeiro os dados para depois falarmos do período histórico a que me refiro. De acordo com um estudo sobre o assunto publicado na folha online, em todo o ano de 2007 foram investidos no Brasil R$ 35 bilhões em segurança pública pelos Estados e pelo governo federal -13% a mais que o volume aplicado em 2006-, mostra a segunda edição do "Anuário Estatístico do Fórum Brasileiro de Segurança Pública". De acordo com a publicação, São Paulo foi o Estado que mais investiu recursos na área -R$ 7,61 bilhões.
Mesmo considerando que tais investimentos são imprescindíveis no momento histórico pelo qual estamos passando, não posso deixar de considerar que seria muito melhor se essa montanha de dinheiro pudesse ser investida em educação. Se isso já tivesse sendo feito há muito tempo, com certeza a situação do Brasil agora seria bem diferente, não precisando de investimentos tão vultosos na área de segurança publica. Mas, estamos pagando essa divida por causa de um passado de irresponsabilidades e descasos na área de educação. A formula não é tão complicada, pois vemos os casos de Países como a Coréia do Sul que, quando passaram a ver a educação como prioridade, tiveram resultados expressivos com crescimentos econômicos altíssimos e sustentáveis.
No Brasil, os políticos sempre utilizaram a retórica de que o investimento em educação teria uma atenção especial em seus respectivos governos. Entretanto, o passar dos anos mostra que estamos caminhando a passos lentos nesse sentido, pois as promessas tornam-se palavras vãs diante de um desafio de tamanha monta. Sabemos que o nosso país é muito mais complexo que a coréia do Sul e outros países que encararam tamanho desafio de frente, mas sabemos também que só seremos uma nação desenvolvida se resolvermos essa pendência.
A primeira herança negativa que nos foi legada é aquela advinda do tipo de colonização implantada por Portugal em nosso território. Para os portugueses a educação, tinha uma importância secundária. Fazendo uma comparação com as colônias hispânicas, observamos que enquanto nessas colônias já existiam muitas universidades, sendo que em 1538 já existia a Universidade de São Domingos e em 1551 a do México e a de Lima, a primeira Universidade brasileira só surgiu em 1934, com a criação da USP em São Paulo, ou seja, enquanto o “Brasil” foi colônia de Portugal, jamais fora implantada uma universidade em nosso território. Isso, sem duvida, não poderia deixar de ter um reflexo negativo importante para o desenvolvimento da educação brasileira.
Na minha opinião, no entanto, o período que deixou marcas indeléveis legando para a posteridade uma situação caótica e de difícil equação foi sem, sem duvida alguma, aquele dominado pelos militares, ou seja, o intervalo compreendido entre 1964 e 1985. Quando os militares empreenderam o golpe de estado em 31 de março de 1964, gestava-se uma revolução na educação brasileira, principalmente com Paulo Freyre e o seu método de alfabetização dos trabalhadores em quarenta dias. Ela já havia logrado um grande êxito e tencionava expandir a sua forma de ensinar pelo Brasil inteiro. Paulo Freyre, no entanto, queria formar cidadãos capazes de fazer uma leitura critica do mundo e da sociedade que o circunda. Ele queria trabalhadores politizados e não se restringia, por isso mesmo, a apenas alfabetizá-los. Uma sociedade critica e politicamente ativa, entretanto, não interessava ao novo regime.
Quando os militares tomaram o poder, muitos professores foram presos e demitidos; universidades foram invadidas; estudantes foram presos e feridos, nos confronto com a polícia, e alguns foram mortos; os estudantes foram calados e a União Nacional dos Estudantes foi proibida de funcionar. Ao assumir o governo, o discurso dos militares era de que o regime tencionava construir um sistema de ensino que fosse capaz de aplacar a pobreza no Brasil, diminuindo a desigualdade social. Como diminuir a desigualdade num modelo de desenvolvimento econômico que priorizava o enriquecimento da camada mais rica da população? Essa pergunta não encontrou resposta nos planejamentos educacionais desenvolvidos entre 1964 e 1985.
Os militares buscavam a sua hegemonia no poder e pregavam muitos dos seus ideais nos meios educacionais. Para isso, buscavam também apoio de parte da sociedade baseado no seu projeto de desenvolvimento econômico. Nesse sentido, divulgou conceitos produzidos pela Escola Superior de Guerra nos manuais de Estudos dos Problemas Brasileiros, instrumentalizando os privilegiados que tinham acesso ao ensino superior no combate aos “inimigos internos”, na “defesa da Pátria” e na “preservação dos valores nacionais”.
Nesse período para erradicar o analfabetismo foi criado o Movimento Brasileiro de Alfabetização – MOBRAL, aproveitando-se, em sua didática, do expurgado Método Paulo Freire. O MOBRAL propunha erradicar o analfabetismo no Brasil, mas passou longe de conseguir o seu intento. E diante das denúncias de corrupção, entre outras, acabou por ser extinto e, no seu lugar criou-se a Fundação Educar.
Obviamente não faltaram criticas às sucessivas e malsucedidas investidas do governo militar no setor de educação, no entanto, qualquer forma de discordância era logo taxada de “subversiva” ou “comunista” e seu autor era banido dos meios acadêmicos. O movimento estudantil sofreu muitas baixas até que perdeu sua força, mantendo-se quase inerte nos anos mais truculentos da ditadura. Essa foi a outra forma de educar encontrada pelo regime: disseminando o terror, para desencorajar atitudes de apoio aos “subversivos” ou “comunistas”.

Resumindo, após 21 anos de ditadura militar, restou ao Brasil um sistema educacional com graves problemas: uma estrutura física que, apesar de estendida, não foi suficiente para atender à demanda crescente; uma queda na qualidade do ensino superior, com a proliferação de “empresas educacionais” que permitiram o acesso de um pequeno contingente das camadas de menores níveis de renda ao ensino superior, contingente este que custeava seus próprios estudos; queda na qualidade dos níveis elementares de ensino, dada a queda na qualidade de formação dos profissionais de educação, além da depreciação das condições de trabalho desses profissionais.

A tudo isso, deve-se somar ainda o pesado tributo deixado pela caótica situação social advinda dessa política de descaso com a educação, o que acaba por gerar como contrapartida obvia um aumento sem precedentes nos investimentos com segurança publica, sendo esses superiores, paradoxalmente, aos investimentos no setor educacional. É claro que existem outros fatores como desemprego, entre outros, que incidem decisivamente no aumento dos índices de violência, mas se tivesse havido mais seriedade e vontade política com a educação, o cenário nos seria muito mais favorável agora.

Francisco Lima

quarta-feira, 29 de julho de 2009

ESCALADA DA VIOLÊNCIA NO NORDESTE

Muitos são os problemas sociais no Brasil e isso se reflete muitas das vezes no comportamento da população, sendo que a explosão da violência é uma conseqüência quase que natural da exclusão e do desemprego, que por sua vez geram a favelização e outras mazelas sociais que estamos acostumados a ver em muitos países incluindo o Brasil.

Moro no Rio de Janeiro há quarenta anos, isto é, quase nasci e fui criado nessa cidade ou nos arredores dela,pois cresci em BelFord Roxo um município da região metropolitana do Rio, mas que fica muito próximo, sendo que nesse caso toda a referência que sempre tivemos em termos de serviços de saúde, emprego etc. estava no Rio, cidade já famosa no mundo inteiro, não somente por suas belezas naturais, mas principalmente pela explosão de violência que volta e meia toma conta dos noticiários mundo a fora, tornando essa cidade um lugar muitas temido por essa razão. A cidade onde fui criado não ficou muito atrás nesse quesito, pois também já foi considerada uma das cidades mais violentas do mundo.

Tudo o que foi dito anteriormente é mais do que obvio para todo mundo, mas mesmo vivendo a vida inteira nesse canário, tive a sorte de nunca ter sido assaltado. Isso mesmo, não estou delirando, eu nunca fui assaltado nessas cidades pelas quais transitei intensamente (incluindo Duque de Caxias, Nova Iguaçu, são João de Meriti etc.). Já entrei em becos, passei por guetos e favelas das mais diversas e sempre trabalhei nas proximidades da central do Brasil, um lugar com alto índice de criminalidade e onde se pode ver todo tipo de coisa. Coisas não agradáveis à visão do desavisado transeunte, é claro.

Depois de anos tentando encaixar um tempo para conhecer o Nordeste, já que a região sudeste eu já explorei razoavelmente bem, conhecendo os seus quatro estados, esta semana finalmente estou tendo essa oportunidade, já que esta semana estou de passagem por Salvador. Gostei muito da cidade de Soterópolis (Cidade do Salvador em grego, sendo que por essa razão, todo mundo que nasce em Salvador é chamado de soteropolitano).É realmente uma cidade bonita e eu adorei o lugar onde estou hospedado na Barra de Salvador. Mas, o que me chamou muito a atenção desde que aqui cheguei são os muitos comentários na rua sobre assaltos, sendo essa modalidade de crime a mais comum por aqui, ao que parece. Mas eu não sou ingênuo e, ao chegar ao aeroporto, Já estava mais ou menos ciente de que tinha que tomar um pouco de cuidado, não expondo dinheiro e pertences, cuidados que eu sempre tomo também do Rio de Janeiro.

No trajeto do aeroporto para o hotel na barra de salvador eu optei por um ônibus, visto que as vans os e taxis queriam me cobrar cem reais. Embarquei em um microônibus (tarifa especial e com ar condicionado) e tudo estava perfeitamente bem até passarmos por Itapoã, lugar muito conhecido por causa da musica Passar uma tarde em....passamos pelo famoso lugar e eu estava conversando com uma moça que havia conhecido no coletivo e falava justamente das populações marginalizadas do Rio, entre as quais se incluía os nordestinos e comentava que muitos chefões do trafico são descendentes desses migrantes do nordeste. Pois bem, eu nem cheguei a completar o que falava quando entraram no ônibus dois adolescentes, ao que tudo indicava, anunciando um assalto. Notava-se que se apresentavam bastante nervosos, parecendo com mais medo do que os passageiros vitimas do assalto. A arma que apresentaram quase ninguém a viu, sendo que a puxaram quando estavam ao meu lado. Olhando bem o que parecia ser uma pistola, tive a quase convicção de que era uma arma de brinquedo. Quando eles me abordaram, não fizeram muita questão de levar todos os meus pertences, só levando o relógio e o celular que não seria levado se minha filha não o tivesse tirado da bolsa. Os meninos assaltantes saíram correndo deixando para trás bolsas e mochilas que haviam subtraído de alguns passageiros, mostrando o nervosismo a que me referi e me deixando com a quase certeza de que o assalto fora praticado com uma arma de brinquedo.

Em suma, a capital do estado da Bahia não é única do nordeste infestada pela violência. Muito se sabe sobre os altos índices de Recife e Fortaleza, por exemplo, mas eu tive um exemplo pratico de como a situação anda caótica por Salvador. São necessários investimentos urgentes em segurança e, principalmente em educação, pois somente com vontade política e seriedade se poderá reverter um quadro tão caótico. Não acredito que tal situação tenha começado agora, mas que é a herança de muitos anos de descaso. Tal situação acaba gerando prejuízos, pois muitos turistas que passam por semelhante situação acabam optando por outro destino. Não há como postergar mais, é preciso providências urgentes.

Francisco Lima

domingo, 26 de julho de 2009

NOSSO PORTO SEGURO PODE SER UMA ILUSÃO..

Quase todos nós julgamos ter o nosso "porto seguro", isto é, uma condição ou a companhia de alguém que, achamos, nos dá certa segurança, estabilidade etc. Ainda que, as vezes, as bases, dessa suposta segurança sejam frágeis demais para ser consideradas como tais. Mesmo assim nos agarramos nessas supostas conquistas querendo preservar o que já conquistamos.

Entretanto, se queremos conquista reais e duradouras, temos que estar abertos às mudanças, pois as vezes a vida nos coloca diante de grandes desafios que podem significar um desequilibrio temporário, que poderá nos levar todavia à condições gerais muito mais satisfatórias se tivermos realmente dispostos a encarar os reveses que todo esse processo suscita.

Para que tais mudanças realmente possam ocorrer, no entanto, temos que perseguí-las o tempo todo, preparando-nos e buscando quando possível ter uma visão do que poderá vir a ser o cenário de um futuro próximo, pois isso nos dará certa vantagem, já que poderemos estar munidos dos conhecimentos e das ferramentas adequedas.

Tudo isso nos mostra que , para alguém que busque realmente o sucesso, dificilmente haverá a prevalência de fatores como a sorte, que será proporcional à nossa vontade de buscar o objetivo pretendido, ou seja, as mudanças serão fruto da nossa vontade de perseguí-las com a tenacidade e renúncia necessários.

Enfim, o nosso porto seguro quando nos achamos em situações que julgamos por vezes sólidas e até mesmo imutáveis, é muitas vezes fruto da nossa acomodação, do nosso medo da mudança. O período histórico pelo qual estamos passando já não comporta tal procedimento, pois, quer queiramos ou não, as mudanças virão e nos levarão de roldão quando não estivermos preparados para elas. É a chamada pós-modernidade que nos impõe a quebra constante dos nossos paradígmas.

domingo, 19 de julho de 2009

TODOS UNIDOS POR UMA EDUCAÇÃO DE QUALIDADE...

Todos unidos por uma Educação de qualidade.

O ministério da educação através do CNE (Conselho Nacional de Educação) aprovou no ultimo dia 30/06 uma medida que tem a intenção de apoiar currículos inovadores para o ensino médio. Pelo projeto, será possível lecionar os conteúdos de maneira interdisciplinar, sem que sejam divididos nas tradicionais disciplinas como história, matemática ou química. O aluno também terá condições de escolher parte de sua grade de estudos. A intenção é que a atual estrutura curricular - organizada em disciplinas - seja substituída pela organização dos conteúdos em quatro eixos: trabalho, ciência, tecnologia e cultura, para que os conteúdos ensinados ganhem maior relação com o cotidiano e façam mais sentido para os alunos. Outra mudança a ser estimulada é a flexibilidade do currículo: 20% da grade curricular deve ser escolhida pelo estudante.

Eu, como professor, apóio qualquer tipo de mudança que tenha como intenção alterar o quadro atual, que chegou a um ponto tão caótico que não é incomum verem-se alunos do 3º ano do ensino médio na educação publica estadual do Rio de Janeiro e, creio eu, talvez em outros sistemas, que não saibam ler e interpretar um texto curto de alguns parágrafos. Um problema que parece impossível de acontecer, pois se poderia questionar como um aluno desses, que não aprendeu o que é básico que é a leitura e a interpretação de texto, condição sine qua non para aprender qualquer disciplina e, por conseguinte, avançar para etapas posteriores de aprendizagem, poderia ter “progredido” até chegar ao fim da educação básica?

Uma das possibilidades de explicação da incongruência apontada acima é o fato de que o foco principal durante muitos anos tem estado na quantidade de “alunos formados” e não na qualidade do ensino. O que valem são os números, as estatísticas, sendo que os reais problemas da educação têm sido ignorados por sucessivos governos, que sempre deixam para os seus sucessores a tarefa de encarar um problema tão sério.

A situação torna-se ainda mais grave se formos considerar as mudanças em curso e a necessidade de adaptação a um mundo cada vez mais complexo, que exige de todos uma mudança constante de paradigmas. Adaptando-se a esse contexto, a UNESCO propõe que a alfabetização não seja mais apenas o domínio básico da leitura, da escrita e das operações matemáticas básicas. Hoje em dia, para que uma pessoa esteja realmente alfabetizada, segundo o conceito dessa instituição, é necessário que tenha as habilidades de identificar, entender, interpretar, criar, calcular e se comunicar mediante o uso de materiais escritos vinculados a diferentes contextos.

Considerando essas novas perspectivas e diante do que foi exposto acima é fácil chegarmos à triste conclusão de que muitos alunos formandos do ensino médio da educação pública do Estado do RJ ainda não conseguem se adequar aos novos parâmetros da UNESCO para uma pessoa alfabetizada, ou seja, estão concluindo a educação básica sem que sejam adequadamente alfabetizados de acordo com esse novo paradigma.

O trabalho será árduo para a reversão de um quadro tão desfavorável, mas as mudanças propostas podem representar o começo de um processo que poderá reverter este quadro. É preciso, porém que todos os envolvidos nesse contexto tenham a consciência de que a sua participação deve ser ativa e a entrega deve ser total. Mas, se não houver um empenho das esferas superiores, da secretaria de educação, das coordenadorias regionais, dos diretores etc., dificilmente essas mudanças surtirão o efeito desejado. É necessário que haja um verdadeiro desejo de mudança de todas as partes envolvidas.
Francisco Lima

terça-feira, 14 de julho de 2009

QUERER É PODER....



É incrível o que podemos realizar quando estamos verdadeiramente determinados a alcançar algum objetivo ou mesmo superar alguma barreira ou limitação. Não há obstáculos capazes de vencer uma vontade persistente que já está consciente de que as muitas dificuldades encontradas ao longo do caminho são testes para mensurar até que ponto estamos determinados.

Vemos pessoas que saem de situações completamente adversas, como pobreza extrema, famílias desestruturadas, enfim, dificuldades das mais diversas e ainda assim tornam-se vencedoras e são exemplos a ser seguidos.Outros são testados de uma outra maneira quando algum acidente os priva de algum membro do corpo e a vida os coloca entre duas possibilidades: uma que o deixaria parcial ou totalmente invalido de forma indelével, isto é, para sempre e outra que o coloca diante de uma situação de ter que reaprender tudo, adequando-se a uma nova realidade, tendo que ser tão forte e determinado quanto maior for a sua limitação. Nessas situações é que vemos que o impossível não existe para quem tem força de vontade.

Todos nós conhecemos casos de superação de limitações, que são até certo ponto comuns encontrarmos na nossa vivencia cotidiana. Há pessoas com certo grau de deficiência mental que estudam e conseguem até cursar uma universidade, superando todos os prognósticos de especialistas. Outras há que perdem um braço ou uma perna e nem por isso deixam de trabalhar, apenas adaptando-se a essa nova realidade, fazendo-o de acordo com a sua limitação. Mas, há outras que dão demonstrações de superação que nos deixa envergonhados, tal a nossa pequenês e acomodação diante da vida. Um caso desse tipo é um de uma mulher que cuida do filho recém nascido trocando fraldas, que faz todo o serviço de casa como qualquer pessoa “normal”. A única diferença é que ela não possui os dois braços e faz tudo com os pés. Isso mesmo, ela aprendeu a usar os pés como se fossem mãos e há um vídeo circulando na internet que mostra as façanhas realizadas por essa pessoa fantástica.
Ví também um outro caso de uma brasileira que reside no interir de São Paulo, que nasceu sem os os dois braços e faz tudo que uma pessoa dita normal é capaz de fazer: dirige, escova os dentes, escreve muito bem e está fazendo faculdade em uma turma de pessoas sem qualquer tipo de deficiência, pois ela não se considera menos capaz que ninguém. São pessoas que não acomodaram e não vêem na deficiência um fator de acomodação ou de autopiedade.

Tudo nos é permitido com o concurso da vontade, mas a falta dela também pode nos levar a caminhos inversos, ou seja, a uma situação de dependência de outras pessoas. Há muitas pessoas ditas normais que chegam a um desestimulo tão grande que caem até na mendicidade e não há quem consiga tirá-los de tal estado de prostração, pois eles já não ouvem conselhos, pois todos nós só ouvimos o que queremos.

Muitas das vezes, esse estado de coisas começa sem que percebamos, quando, sem que notemos, começamos a cultivar a chamada “preguiça”. Isso, geralmente ocorre com adolescentes que ficam desanimados para estudar, nada fazem em casa e quando não há ninguém para cobrar a situação tende a piorar e chegar até no abandono da escola. É necessário que os pais observem o comportamento dos seus filhos e busquem ajuda de médicos ou psicólogos quando necessário.

Fico muito triste quando vejo jovens que já completaram a maioridade, muitos já com vinte e poucos anos que não tem nenhuma perspectiva em relação à vida, não trabalham, não estudam (muitos pararam antes de concluir a educação básica) e ficam dependendo dos pais ou de outras pessoas até para se alimentarem. E isso é muito comum de encontrar por aí. Muitos desses jovens não são desempregados, pois grande parte não estão procurando por emprego, estão desanimados e precisam despertar para a vida, isso quando a vida não os leva para os caminhos considerados, ilusoriamente, mais fáceis, mas que poderão levar a conseqüências trágicas.

Finalmente, deixo uma mensagem de otimismo para todos os que precisam de uma “injeção de animo”:
“Se você confiou em Deus e andou pelo caminho dele, se você o sentiu a guiar você todos os dias, mas agora seus passos o levam por outro caminho...Comece de novo.Se você fez planos que não deram certo, se você tentou dar o melhor de si e não há mais o que tentar, se você falhou consigo mesmo sem saber por que....Comece de novo.Se você contou aos seus amigos o que planejava fazer, se você confiou neles e eles não o apoiaram, se agora você está sozinho, só podendo contar consigo mesmo....Comece de novo.Se você falhou com seus familiares, se agora você já não é tão importante para eles, se eles perderam a confiança em você, se você se sente um estranho em seu próprio lar...Comece de novo.Se você orou a Deus, respeitando sempre a vontade dele, se você orou e orou e ainda se sente infeliz, se você quer parar, sentindo que atingiu seu limite...Comece de novo.Se você está certo de que está acabado e quer desistir, se você chegou ao fundo do poço,se você tentou e tentou e não conseguiu subir...Comece de novo.Se os anos passam tão depressa e os sucessos são poucos, se chega dezembro e você se sente triste, Deus dá um novo janeiro a você...Comece de novo.Começar de novo significa:"Vitórias alcançadas"começar de novo significa:"uma corrida bem feita,"começar de novo significa:"Deus sempre vencerá!"Não fique aí sentado no trono da derrota:COMECE DE NOVO!”


Francisco Lima