terça-feira, 26 de janeiro de 2010

VOCÊ SE ACHA HONESTO?

Você se acha honesto?

É sabido que muitas expressões e palavras acabam sofrendo mutações com o correr do tempo. Os seus significados podem mudar bastante e tornarem-se totalmente diferentes do que fora primitivamente, isto é, inteiramente diverso do que indica a sua etimologia ou origem. Um bom exemplo disso são as mutações sofridas pela palavra medíocre na qual é fácil identificar o radical médio, ou seja, uma pessoa medíocre seria alguém dentro de uma determinada media. De acordo com antigos dicionários, medíocre significava "mediano, ordinário, insignificante, vulgar, sem mérito, mas, nos dias atuais, o termo mediano perdeu o sentido e as conotações pejorativas que definiam esse termo é que ganharam espaço.
Há palavras que carregam uma carga simbólica muito grande e são exaustivamente repetidas aos quatro ventos, mas que, paradoxalmente, em vez de consolidar o seu significado acabam se tornando, algumas vezes, conceitos vazios ou longe do seu significado real. Tais palavras ou conceitos já fazem parte da cultura e do imaginário das pessoas e expressam as qualidades que todos se atribuem, sendo motivo de graves desavenças a negação dessas qualidades atribuída a quem quer que seja.
Para melhor compreendermos o que foi dito acima, vamos imaginar uma pesquisa em que as pessoas responderiam alguns questionamentos, entre os quais:
1- Você se acha honesto?
2- Você se acha uma pessoa honrada?
3- Sua vida é pautada por atitudes éticas?
Muitas outras questões poderiam fazer parte dessa lista, mas, por enquanto, essas bastam aos nossos objetivos.
Todos nós sabemos que as palavras honestidade, honra e ética entre outras expressam atributos fundamentais da cidadania e todos julgam possuí-los em alto grau. Assim, é difícil imaginar que uma só pessoa possa responder negativamente a uma das perguntas acima, ainda que não façam uma analise mais detalhada do significado de tais palavras.
O que é significativo porem é que muitas pessoas consideram que algumas atitudes como subornar um policial, comprar produtos de origem sabidamente duvidosa da mão de terceiros, fazer o chamado gato na ligação elétrica etc. são coisas que não irão afetar de maneira alguma a sua dignidade de cidadão honesto. Quando questionados, afirmam que “quase todo mundo faz a mesma coisa,” não sendo, por isso, atitudes reprováveis os comportamentos supracitados.
Entrementes, é muito preocupante essa banalização e a transformação da “pequena corrupção” em atos corriqueiros. Palavras como ética e honestidade não são passiveis de mudanças interpretativas e devem manter o seu sentido original sempre, senão, não farão o menor sentido.
Para sermos realmente honrados, éticos e, principalmente, honestos, temos que evitar que essa “onda de pequenos atos corrupção” nos atinja. Só poderemos responder positivamente às questões propostas acima se não nos deixarmos levar por esses modos de agir que, infelizmente, a cada dia assola mais e mais a sociedade brasileira. É o “chamado jeitinho brasileiro” que encontra soluções rápidas para tudo sem se preocupar com as consequências.

sábado, 23 de janeiro de 2010

VIOLÊNCIA GERA VIOLÊNCIA...

Violência gera violência.

Estava refletindo sobre violência e me veio à cabeça os mais diversos tipos de atitudes violentas praticadas por muitos de nós sem que, na maioria das vezes, sequer nos apercebamos disso. Os meios de comunicação enfatizam muito mais a violência no sentido físico, isto é, onde há agressão física e, em grande parte, com o uso de armas para promover o ato violento. Isso acaba nos levando a uma conclusão errônea de que a violência só se consuma com o concurso de atitudes extremas que causam danos a outrem.
Segundo a definição de muitos dicionarios, violência é um
comportamento que causa dano a outra pessoa, ser vivo ou objeto. Nega-se autonomia, integridade física ou psicológica e mesmo a vida de outro. É o uso excessivo de força, além do necessário ou esperado. O termo deriva do latim violentia.
Apesar disso, a violência fisica representa apenas uma forma de violência , sendo que há muitas variáveis que podem ser tratadas como tais: violência psicologica, politica, cultural, verbal, contra a mulher, infantil, expontânea x institucional etc. Não nos interessa aqui definir toda essa tipografia da violência, mas para quem se interessar pelo assunto essas definições estão disponíveis na wikpédia.
Na nossa convivencia cotidiana com os nossos semelhantes, nossas atitudes e comportamentos estão eivados de preconceitos que acabamos por encararar como algo natural. Um exemplo claro do que estou falando é o modo que nos referimos aos que têm, na nossa concepção, comportamento desviante ou considerado diferente no seu relacionamento amoroso ou afetivo. Tais pessoas preferem os parceiros do mesmo sexo e, por isso, são vistas como seres anormais e são nomeados dos mais diversos modos com expressões pejorativas que têm como finalidade rebaixá-los, desmoralizá-los por estarem indo contra os valores de uma “sociedade que preza a manutenção dos valores cristãos e vive de acordo com moral e os bons costumes.”
Mas, que sociedade é essa que faz do preconceito e da intolerância valores tão prezados esquecendo-se da verdadeira essência do ser humano?
Que bons costumes são esses que valorizam a intriga e a fofoca como algo a ser cultuado e que prega a exclusão de muitas pessoas, chegando ao absurdo de muitos pais expulsarem seus filhos de casa pelo fato de sua opção sexual ser diferente da considerada padrão?
E há preconceitos dos mais diveros tipos, sendo muitos excluídos pela cor da pele, outros pela sua origem e a grande maioria, na minha opinião, pela sua condição social.
Cabe então um questionamento: não será violência excluirmos nossos irmãos apenas por nossas idéias preconcebidas, isto é, pelos nossos preconceitos?
Não resta dúvida de que o preconceito é um tipo de violência que pode acabar por gerar revolta nas pessoas alvo da exclusão, tornando-as agressivas. É uma reação natural contra uma sociedade que a exclui.
Tenho observado que nas escolas esse comportamento preconceituso dos mais diversos matizes é muito comum. Taxar o aluno de incapaz de aprender, de inapto, de burro é algo costumeiro. Nós, professores, temos que ser agentes do não preconceito e muitas das vezes estamos incentivando tais atitudes o que é muito lamentável.
A violência nas escolas tem se tornado algo muito corriqueiro. Os meios de comunicação mostram essa dura realidade quase todos os dias. Essas atitudes violentas são geradas por diversos fatores, entre os quais podemos citar a crescente insatisfação dos jovens em relação à escola pelos mais diversos motivos.
Entretanto, é sabido que muitas brigas entre alunos são causadas por atitudes preconceituosas e se essas mesmas atitudes não forem combatidas por professores, direção e educadores em geral, podemos nos tornar alvo dessas agressões. Temos que começar uma mudança de de mentalidade e de atitudes dentro da escola para que isso possa se refletir na sociedade como um todo.
A escola não pode ser um reflexo do que há de pior na sociedade. Ao contrário, ela precisa ser agente de transformaçõs positivas e isso tem começar no combate a todo e quaisquer tipo de preconceitos sob pena de não estar cumprindo o papel que lhe cabe. Do contrário, se alimentarmos o preconceito estaremos indiretamente a alimentando a violência.

Francisco Lima