domingo, 29 de novembro de 2009

REFLEXÕES ACERCA DO TRABALHO DOCENTE...

Reflexões acerca do trabalho docente

Para se fazer um bom trabalho docente é preciso engajamento e eu observo que a quase ausência desse fator, em muitos casos, pode estar levando a uma situação em que, nós, os professores fazemos nosso trabalho sem muitos compromissos com os alunos, com a comunidade escolar na qual estamos inseridos e voltamos para o nosso mundo sem nos darmos conta de que podemos estar “cavando um abismo” ou “construindo um muro de grandes proporções” entre nós e a comunidade escolar da qual devíamos ser uma parte indissociável.

Mas, não somos nós, os professores, que temos que arcar com esse ônus tão pesado. Estamos à deriva nesse barco e somos, assim como os alunos em maior proporção, afetados pelo descaso de décadas praticamente sem políticas publicas efetivas voltadas para a área de educação. O pouco engajamento de muitos docentes, e o meu caso é um deles, é muitas vezes justificado pelo fato de fazermos jornadas duplas, às vezes tripla, para sobrevivermos. Há muitos mestres que gostariam de ter tempo para se dedicar melhor ao seu oficio, que amam a profissão e fazem questão de deixar isso claro. Muitos, que apesar dos desencantos, das ilusões e as muitas dificuldades encontradas em salas superlotadas e a falta das condições mínimas para exercerem o seu oficio com dignidade, acreditam que dias melhores virão. Alguns porem, não esperam acontecer e já estão, como diria Vandré, fazendo a hora, isto é, fazendo o que podem, na medida do possível para mudar a realidade a seu redor.

Entrementes, ainda que não tenhamos que carregar toda a culpa da situação vigente (e não temos), em muitos casos, podemos tentar fazer mais, e eu me incluo nesses casos, fazendo uma mea culpa. Fazer o “possível” as vezes não é suficiente, pois se nos engajarmos mais poderemos fazer o que até então era considerado “impossível.” Sabemos que o desafio é grande, que as autoridades políticas precisam fazer muito mais que utilizar a educação como plataforma de governo para se elegerem.
A educação deve ser tratada com seriedade, pois é o caminho único e sem atalho para levar um Pais a um progresso sustentável. O nosso país está vivendo uma crise de mão de obra qualificada, fruto desse descaso de décadas, pois, com eu já disse, não se pode fazer objeto de retórica com um assunto tão serio e de importância capital para qualquer nação. Nós, professores, podemos protagonizar essa grande mudança começando o nosso trabalho de formiguinha dentro das comunidades escolares nas quais estamos inseridos. O ideal é que pudéssemos nos dedicar exclusivamente a uma escola, mas, como ainda não há condições para isso, que sejamos os “heróis anônimos” e façamos a nossa parte nesse grande processo.
Francisco Lima

terça-feira, 17 de novembro de 2009

A NOVA PROVA DO ENEM...

Nova prova do ENEM

A mudança do modelo da prova do ENEM centrada agora em áreas e não mais em disciplinas, pode trazer alterações na educação básica, especialmente, a principio, no ensino médio. As novidades são a divisão da prova em áreas distintas como: matemática e suas tecnologias, ciências da natureza e suas tecnologias, Ciências Humanas e suas Tecnologias e Linguagens, Códigos e suas Tecnologias. Deverão ser 50 questões para cada uma dessas áreas.Há a possibilidade, porém de uma mesma pergunta incluir, ao mesmo tempo, temas de história e geografia, de biologia e química ou de literatura e compreensão de linguagem. Especialistas afirmam que esse novo modelo exigirá dos estudantes conhecimento, raciocínio e, principalmente, capacidade de relacionar temas para chegar à resposta correta. Modelos de questões mostram que o novo Enem será não apenas mais longo, mas bem mais complexo. “No Enem atual, o aluno não precisa, por exemplo, saber ciências. Uma pessoa que lê bastante pode ter um bom resultado”, explica o presidente do INEP, Reynaldo Fernandes. “O novo exige mais conhecimento de conteúdo.”

Por tudo que foi exposto acima, acredito que pode haver, a principio, uma elitização do acesso ao ensino superior, pois a prova do ENEM continuará servindo como critério para o ingresso nas universidades particulares com a concessão de bolsas para os alunos mais bem colocados através do programa PRO-UNI, além também de ser usada por diversas universidades publicas pelo País afora. Agora somente aqueles que tiveram acesso a uma educação de qualidade ou se dedicarem bastante poderão alcançar o objetivo de conseguir a bolsa do PRO-UNI ou passar em uma das universidades publicas que adotarem o novo modelo.

De acordo com algumas pessoas ligadas a área de educação o objetivo principal desse novo modelo de avaliação integrado é a otimização das estruturas do vestibular e das Universidades. Nesse sentido, a falsa mobilidade prometida pela possibilidade de o candidato inscrever-se para cinco cursos diferentes, nada mais seria na verdade, do quê garantir que o maior número possível de vagas seja preenchido ao fim do processo unificado. Quer dizer, não importa se o aluno sonhou a vida inteira em ser engenheiro civil. Na sinuca do vestibular ele poderá ser encaçapado no curso de psicologia de uma outra instituição, onde, por ventura, os recursos não estejam sendo utilizados de forma "otimizada".

Apesar das opiniões divergentes, segundo o MEC, um dos principais objetivos com a proposta do novo Enem é reorientar o currículo do ensino médio, aproximando mais os conteúdos da realidade social dos alunos, isto é, as disciplinas isoladas não mais existiram da maneira como estão e passariam a ser trabalhadas de forma integrada com outras da mesma área, tal como é a proposta da nova avaliação do ENEM. Se o objetivo de tal proposta tiver realmente o intuito de melhorar a educação básica, pode e deve merecer todo o apoio da sociedade. Agora mais do que nunca a educação básica precisará melhorar para acompanhar as mudanças impostas verticalmente pelo novo modelo do ENEM. Mas é necessário que haja investimento para que as coisas aconteçam sem o que nada sairá da mesmice.

Em suma, quem acompanha a situação de perto, pelo menos no que tange aos alunos do ensino médio do estado do Rio de Janeiro sabe que a maioria desses alunos não têm condições de passar em uma prova com o grau de dificuldade da nova prova do ENEM. Na antiga o grau de dificuldade era bem menor. Por isso, será preciso muito mais que imposição vinda de cima e mudança no currículo. Serão necessários investimentos para que se dêem, em muitos casos, as condições mínimas de trabalho para que os professores possam acompanhar esse novo contexto e desenvolver um trabalho digno com seus alunos.

Francisco Lima

domingo, 25 de outubro de 2009

“Neurosex” da pós-modernidade...

“Neurosex” da pós-modernidade

Estava refletindo sobre um fato que ocorre com muitos casais e que para mim é um tanto quanto inusitado. O “problema” é muito mais comum do que possamos imaginar segundo os especialistas no assunto e, de acordo com carmita abdo, coordenadora do Projeto Sexualidade (ProSex) do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas (HC), em alguns casos, ele é conseqüência da vida contemporânea, com dupla jornada de trabalho, estresse da rotina, falta de tempo e preocupações", diz a psiquiatra. Já podemos deduzir que o assunto que me inspirou a escrever essas linhas tem a ver com alguma questão ligada a área sexual. Quem seguiu por essa linha de raciocínio está correto, pois é exatamente o sexo o tema da minha reflexão, ou melhor a falta dele.
Casamentos sem sexo
Conheço muitos casos em que as pessoas (quase sempre mulheres), influenciadas por uma visão supostamente religiosa ou para camuflar a falta de desejo sexual, diziam acreditar que o sexo era para procriar, ter filhos. Isso parece irreal, mas não é, pois conheço casos muito próximos a mim de pessoas que passaram por esse tipo de problema que tornaram-se publico para um circulo mais intimo. Há também relatos de casais que, impedidos de ter filhos devido à esterilidade sexual de uma das partes, optaram também pela castidade sexual, já que estariam em pecado se praticassem sexo sem que pudessem procriar. Ou seja, para essa visão deturpada da realidade, ancorada em uma “concepção religiosa”, o prazer em si seria pecaminoso.
O que está relatado acima são casos excepcionais que talvez não sejam tão freqüentes atualmente, mas nos dias de hoje, ocorrem muitos casos de pessoas que se casam e simplesmente não fazem sexo. Isso mesmo, casais que, devido à “indiferença sexual” de um dos parceiros simplesmente ficam anos sem ter sequer uma relação sexual. Em uma reportagem no portal terra há um relato de uma moça que casou e ficou os primeiros seis anos sem uma relação sexual com o marido. Dá para acreditar em uma coisa dessas! A lua de mel (a melhor parte) simplesmente não aconteceu! Ela teve que praticar o “sexo solitário” por muitos anos até que não agüentou e largou o marido com nove anos de casamento. Esperou tempo demais para tomar esta decisão, pois, sem sexo, nove anos é uma eternidade.
Na mesma reportagem do portal terra a psicóloga e sexóloga Carla Cecarello, coordenadora do Projeto AmbSex (Ambulatório de Sexualidade), de São Paulo, ressalta que o casal que chega a uma situação de ausência de sexo no casamento, nunca teve uma vida sexual satisfatória ou não tinha cumplicidade e intimidade naturalmente. "A falta de sexo não acontece de uma hora para outra. É uma conseqüência de ações e reações ao longo dos anos", diz. E de acordo com a mesma especialista razões não faltam para dar continuidade a um casamento sem sexo. "Mexer nessa situação é, no mínimo, desgastante. Por isso, muitos preferem sublimar a sexualidade", afirma Marzano. Conveniência, filhos, interesses financeiros, status social ou político são fatores levados em conta para continuar uma relação sem sexo.
Em suma, pelo exposto dá para se ter uma idéia de que há algo de muito sério com os casamentos modernos. Em minha opinião, casamento sem sexo é algo inconcebível. É no mínimo estranho que um casal jovem não sinta atração sexual pelo seu parceiro ou parceira e relegue a relação sexual para ultimo plano. Quando existe o problema da relação ter esfriado devido ao cansaço do trabalho domestico, de a mulher ter que dar conta de cuidar dos filhos, da casa e ainda trabalhar fora dá para entender. A chama existe e pode ser acesa a qualquer momento. Agora, um casal jovem, sem filhos e sem desejo um pelo outro ou de uma das partes, ai existe um problema que precisa ser resolvido. Do contrário, se a falta de desejo for unilateral, o casamento pode não sobreviver muito tempo. Acredito que muitas separações tem relação direta com esse problema, pois geralmente, um dos parceiros acaba fazendo o sacrifício da renuncia para evitar problemas com o parceiro. Um dia não agüenta e acaba dando um basta na situação. Mas eu creio também que devido a esse problema, muita gente acaba buscando outros parceiros fora do casamento. Para que não se precise chegar a esse ponto, siga o conselho dos especialistas, segundo os quais:
“a primeira providência é conversar, a segunda é ir ao médico para descartar problemas físicos e a terceira é fazer terapia sexual".
Siga esses conselhos para não se privar de uma coisa tão boa e “sublime” como é o sexo e viva em plenitude ou descubra a satisfação e o prazer oriundos da relação sexual.

Francisco Lima

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

MAIS DO MESMO: UMA REFLEXÃO SOBRE A POLÍCIA DO RIO DE JANEIRO...

Um vídeo com o desfecho de um assalto sofrido pelo coordenador do Afro Reggae Evandro João da Silva, mostra imagens que revelam a omissão da polícia no socorro à vítima e indicam que os policiais podem ter liberado os suspeitos e ficado com os objetos roubados. Sendo que a polícia agora investiga os policiais que participaram da ação, que não resultou em nenhum preso. Analisando a atitude dos policias militares que são mostrados no vídeo em questão comecei a pensar no fato de que semelhante situação, lamentavelmente, é muito mais comum do que nós gostaríamos de acreditar. Queria muito de poder estar aqui defendendo a competência, a bravura, o heroísmo etc. da nossa policia, mas infelizmente muitos fatos, que parecem estar virando rotina, me levam a criticar o comportamento de muitos desses policiais que absolutamente, ao que tudo indica, não possuem dignidade e em muitos casos nem honestidade para exercer essa função tão importante para a sociedade como um todo. Talvez muitos hajam dessa maneira pois sabem de antemão que dificilmente serão punidos ou até mesmo tem a certeza da impunidade.
É muito comum ouvir-se que a solução milagrosa para equacionar essa situação seja melhorar os salários dos policiais, remunerá-los bem para dar-lhes dignidade. Concordo plenamente que a policia tenha que ser bem remunerada, sendo essa uma condição sine qua non para que pudesse haver melhorias no futuro, mas, infelizmente, os muitos casos de desvios de conduta, de policiais que praticam os mesmos crimes que os bandidos (confundindo-se como com esses últimos ) fazendo seqüestros, assaltos a bancos e muitos outros crimes, não nos dão muitas esperanças. Há relatos em livros (as cores de acari mostra alguns fatos desse tipo) de que policiais seqüestram membros das famílias dos bandidos ou mesmo os próprios bandidos conseguindo como resgates somas significativas ou matando as vitimas quando não recebem a quantia pedida. Todas essas coisas me levam a ficar totalmente séptico no fato de que apenas um aumento de salário resolveria esse grave problema. Acredito que a situação chegou a tal ponto que não há como se esperar melhorias significativas se não houver uma “limpeza” ampla com punições severas a qualquer desvio de policiais. Creio que sem uma reformulação radical nos quadros da policia, especialmente da policia militar, não haverá soluções mágicas para contornar uma situação tão caótica.
As imagens mostradas na televisão mostram o que muitos de nós, lamentavelmente, já estamos acostumados a ver no dia a dia, especialmente os moradores das chamadas comunidades que cansam de ver os conluios entre policiais e bandidos, algo já tão comum nessas regiões que já tem até um jargão especifico para o designar, arrego e a palavra de ordem. Se não tiver arrego, pode haver confronto, algo que não interessa a nenhuma das partes. Em suma, só espero que os nossos filhos e netos tenham a sorte de encontrar uma situação melhor, pois a curto e médio prazo, em minha opinião, não podemos esperar grandes melhorias.

Francisco Lima

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

POESIA SENSUAL....

Poesia sensual.

Contemplar-te a dormir nua,
não tem espetáculo igual,
ver o seu corpo moreno,
sua pele macia é algo sensacional,
que me deixa extático, me inebria.
Você me leva a um delírio sensual,
Pois não há nada igual
a esse espetáculo lindo que é ver você,
mesmo sem o querer,
esbanjando sensualidade,
levando-me quase à loucura de tanta vontade.
Não dá para ficar imune
ao ver semelhante cena,
não agüentarei muito tempo
para satisfazer essa sede de prazer.
Mesmo que tenha que quebrar o encanto,
cometer um disparate, fazendo uma imensa maldade,
a atrocidade de acabar com seu repouso,
com o único intuito de satisfazer minha vontade animal,
minha sede egoística de gozo.

Francisco Lima

terça-feira, 22 de setembro de 2009

O ESTADO E AS COMUNIDADES CARENTES...

O estado e as comunidades carentes
Estava vendo um vídeo de uma reportagem sobre uma festa promovida pelo tráfico numa favela em Diadema, São Paulo e observei que no evento em questão havia de tudo em abundancia, desde carne e cerveja até drogas como cocaína e maconha que eram servidos “self-service”. Um promotor de justiça disse que os promotores da festa tentavam vender a imagem de que o poder público esteve sempre ausente e que eles (os traficantes) é que ocupariam esse vazio deixado por essa ausência. Cabe-nos então uma pergunta: será que o estado está sempre presente, da maneira que deveria, nessas localidades? Gostaria muito de responder positivamente a esse questionamento, mas infelizmente a realidade me impede de fazê-lo. É notória a ausência do poder público na maioria das comunidades carentes e quando sua presença é sentida geralmente é o aparelho policial que se faz presente e quase sempre de forma coercitiva e com uso abusivo da violência e, não raro, fazendo vítimas inocentes nessa guerra sem fim.
Pensando um pouco nessa questão da violência policial me veio à cabeça um conceito que é muito debatido nos meios acadêmicos e que eu não pude deixar de associá-lo ao que acontece nessa relação policia ou Estado x comunidades carentes. Refiro-me à legitimidade e acho que muitas das vezes esta relação pautada na violência não cria a empatia e outros elementos necessários para tornarem o laço entre essas comunidades e o estado algo duradouro, sendo que na maior parte das vezes o estado está personalizado no aparelho policial, pois sabemos que nesses locais a falta infra-estrutura, de saneamento básico, educação e saúde de boa qualidade entre outras coisas fazem com que essas populações se sintam abandonadas pelo estado. De acordo com o etnólogo Frances Georges Balandier: “O poder estabelecido unicamente sobre a força ou sobre a violência não controlada teria uma existência constantemente ameaçada [...] ele só se realiza e conserva pela transposição, pela produção de imagens, pela manipulação de símbolos e sua organização em um quadro cerimonial”. Pelo exposto, nota-se que é urgente que o estado mude a sua imagem junto a essas populações.
Em muitas comunidades cariocas a ausência do estado criou mitos em torno da figura de muitos traficantes que souberam manipular habilmente o imaginário do povo e ao mesmo tempo estavam presentes nos momentos mais difíceis, socorrendo-os nas mais diversas necessidades. Dois exemplos disso são os traficantes Tonicão e Jorge Luis, ambos da favela de Acari e que comandaram o trafico de drogas naquela região na metade dos anos noventa. O primeiro teria entrado para o trafico por ter visto a sua família assassinada pela policia e quando se tornou chefe, segundo os moradores, botou moral na favela. Os “viciados” tinham o seu local próprio (dentro mato) para consumir a droga e, se alguém fosse pego urinando perto de senhoras sofreria uma punição rigorosa. Ele tinha o costume também passear pela comunidade mandando as crianças irem para a escola, chamando atenção dos pais, obrigando-os a fazer a matricula dos seus filhos com punições em caso de reincidência e dissolvia rodinhas de bate-papo formadas por mulheres alegando que ali “era o nascedouro de todas as fofocas. Não admitia, em hipótese alguma, crianças trabalhando no tráfico e promovia festas para os moradores em datas festivas. Por essas e outras razões, tornou-se uma unamidade entre os moradores que não o consideravam bandido, pois ele só fazia que fosse justo e correto de acordo com a opinião de toda a comunidade. Jorge Luis, que o sucedera adotou a mesma linha de atuação e, segundo consta, era enfermeiro, mas reza a lenda que ele se revoltou e entrou para o tráfico porque um dia, quando saía de madrugada de casa para o trabalho, foi parado pela polícia e tomou várias tapas na cara. Ele não conseguiu a mesma notoriedade do seu antecessor e ex-chefe, mas a sua política assistencialista deixa muitos moradores de Acari saudosos “dos tempos do Jorge Luis”.

O relatado acima se repete em muitas outras comunidades e esses chefes acabam se legitimando por criarem historias que dão conta da fatalidade que envolve suas vidas. Isto é, eles acabaram entrando para o trafico sempre motivados por uma ou outra circunstancia que quase sempre está associada à violência policial. Eles tiveram “motivos justos” para entrar para a atividade criminosa. Nesse sentido, passam a ser vistos não mais como criminosos e sim como alguém que “foi obrigado” a seguir esse caminho para fazer justiça. A ausência do estado e a violência policial acabam sendo habilmente utilizadas por esses chefes, que se apresentam como justos e corretos, satisfazendo, na medida do possível, algumas necessidades básicas dessa população carente de quase tudo. Assim, catalisam a seu favor todo o descaso de um estado omisso e o despreparo de uma policia que tenta se impor pela violência. Com certeza, não é esse o caminho e é necessária a busca de outra estratégia com urgência.

sábado, 5 de setembro de 2009

A RELIGIÃO TEM QUE SER VIVENCIADA COM EXEMPLOS...


São inacreditáveis as barbaridades que se fazem em nome da religião. Os ensinamentos daquele que era para ser o modelo para todas as religiões cristãs foram totalmente esquecidos faz bastante tempo. Grande parte das denominações religiosas não é mais que uma forma, talvez mais rápida e fácil, de enriquecer os seus principais líderes, ou seja, em muitos casos a religião está virando uma espécie de comercio, mas um comércio diferente onde não se compra nada de material, mas adquiri-se, supostamente, um passaporte para o céu e essa “viagem” pode ser em classe econômica ou especial, dependendo do poder aquisitivo de cada fiel.

Mas, falando um pouco mais serio é bastante difícil de encontrarmos religiões onde não há pessoas preocupadas com a vida alheia, procurando motivos para criticar seu “irmão ou irmã” que está com a mesma roupa que estivera no ultimo encontro. Esses “irmãos têm o único intuito de achar motivos para se divertir às custas alheias e futilidades desse tipo não deveriam existir em um ambiente onde, em tese, todos deveriam buscar o crescimento interior. Trocando em miúdos, nem todas as pessoas que estão numa casa religiosa, seja ela uma igreja centro espírita ou qualquer outro templo destinado a prática religiosa, têm em mente propósitos mais sérios, fazendo da religião uma extensão da rua onde predominam a intriga e a fofoca. A religião nesse sentido, para essas pessoas, é mais uma forma de entretenimento, onde se podem colocar as fofocas em dia, falar das novidades que quase sempre envolvem algum “amigo em comum”.

Tá bom vamos dar um desconto, pois estamos falando de seres humanos e quase todos tem os seus defeitos e eu não escondo que também tenho os meus, pois cá estou também a falar dos defeitos alheios e escondendo as muitas mazelas que me dizem respeito e que só quem convive comigo de perto conhece um pouco delas. Um pouco, pois eu procuro escondê-las como a maioria dos seres humanos o fazem. Entrementes, ainda que incorra no engano de criticar os mesmos erros que hora cometo, o faço com a melhor das intenções, mesmo sabendo que o inferno anda cheio de gente com boas intenções, uso essa prerrogativa para fazê-lo. E o farei porque acredito que a religião deveria ser o espaço para nos despojarmos das nossas mazelas, um espaço para refletirmos e buscarmos nos aproximar cada vez mais do criador, pelo menos se fossemos agir conforme indica a etimologia da palavra “religião” que significa ligar novamente, ou simplesmente religar, isto é, a religião seria o espaço para nos ligarmos novamente ao criador de todas as coisas. Mas, aparentemente não é isso o que vem acontecendo.

Observando o comportamento de muitas pessoas que frequentam as mais diversas religiões, vemos que é muito comum que esses fiéis julguem que somente a sua religião é portadora da verdade absoluta. As demais religiões seriam um engodo e muitas dessas pessoas se julgam tão podereosas e tão prepotentes e confiantes no poder que emana da sua religião, especialemente no caso de muitos católicos, que todas as demais denominações relogiosas tranformam-se em seitas. Em um belo trabalho realizado na favela de Acari entitulado “As cores de Acari” e que serviu como sua tese de doutorado o antropólogo Marcos Alvito fez uma excelente etinografia daquela comunidade. Quando partiu para o estudo das religiões, as evangélicas tiveram um destaque especial por serem mais numerosas na comunidade. Essas religiões são divididas em pentecostais, neopentecostais, historicas etc. Nas entrevistas, ele pôde observar que todas elas tem a sua estratégia prórpia para atrair os fieis, mas quase não há exceção quando o assunto são as outras denominações, pois quase todos os lideres sempre encontram muitos motivos para criticar os seus “colegas”.
Entrevistando um pastor da assembleia Deus, que é a igreja mais rigorosa em muitos aspectos, observou o pesquisador que o referido lider religioso ocupou muito do seu tempo em criticar as “outras religiões evangélicas”, principlamente no que ele (o pastor)considerava a pequenês das outras religiões, ou seja a pobreza da qual não sairiam nunca na opinião dele e ressaltou que: Para ser bom pastor tem que ser igual a ele consagrado na igreja matriz da sua denominação, sendo que todos os que fizerem difrente do que ele faz(no tocante aos cultos) irão prestar contas no juízo final, ou seja, o céu pode estar reservado apenas para ele e os seus pares.

Mas unanimidade negativa, no entanto, são os chamados “macumbeiros”.Esses, definitivamente são os alvos preferidos de quase todas as religiões, especialmente as chamadas evangélicas, que elegeram os irmãos praticantes dos cultos afro-brasileiros como bodes espiatórios e quase todas as vezes que vão fazer referência à figura mítica do demônio(talvez o nome mais falado em muitos cultos evangélicos) o associam automaticamente aos cultos de origem africana. Ficando apenas por aqui, dá para se ter uma idéia de um dos motivos que levam tantos féis a tecer críticas e fazer intrigas, usando a igreja ou qualquer outra “casa religosa” como espaço de convivencia social, mas que não contribui para a elevação do espírito, sendo que em muitos casos não há a verdadeira sociabilidade, a solidariedade e, principalmente, o desejo de mudança interior. Pode-se creditar essa situação, em parte, aos exemplos vindos de cima, isto é, ao fato de muitos líderes religiosos não darem os exemplos que derveriam para que sirvam de espelhos para os seus fiéis.

Francisco Lima