segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

OS ERROS NOS ENSINAM MUITO...

Os erros nos ensinam muito
Tenho plena certeza de que agora, mesmo com todos os afazeres, as coisas fluirão melhores e tenderão a uma razoável estabilidade, pois, em se tratando de educação, esperar que tenhamos uma estabilidade duradoura é utopia.
Sabemos que em se tratando de educação, se quisermos fazer o melhor, a mudança deve fazer parte do nosso cotidiano, mesmo que enxerguemos agora nesse momento que, que às vezes, é necessário dar um passo atrás. Isto é, volta e meia teremos que retroceder um pouco para depois avançarmos um pouco mais. É um processo natural para se corrigir rumos.
Quando tive que trabalhar com uma turma de adolescentes eu vivia um memento muito especial, mas era um momento de transição que, com tal, me levava a muitas reflexões sobre os melhores métodos ou formas de trabalhar. Eu estava então saturado dos chamados “métodos tradicionais” (quadro e giz) e queria bani-los da minha prática substituindo-os por formas ou métodos mais adequados com a realidade tecnológica do mundo digital.
Acho que demonizar os chamados “métodos tradicionais” naquele momento atrapalhou bastante a minha pratica e dar um passo atrás era necessário para depois e aos poucos ir avançando e adotando “novas técnicas”. Entre outras coisas, foi isso também que me faltou naquele momento e eu poderia ter feito um trabalho melhor se passasse por cima dessa convicção que acabou virando preconceito.
Hoje reconheço não apenas esse erro, mas também o fato de introduzir as aulas mais modernas com a utilização de filmes e outras mídias sem o devido preparo ou debate com as turmas (eu trabalho com outras turmas no período noturno) que não estavam acostumadas a um trabalho mais subjetivo nos moldes que eu estava propondo. Eu queria apenas fazer as turmas de expressarem e os temas propostos eram e tem sido sempre o mais próximo possível do cotidiano e da realidade deles, como gravidez precoce, desemprego, alcoolismo, abandono paterno entre outras coisas.
Mesmo admitindo que o começo foi meio atropelado e que os primeiros resultados não foram nada animadores eu continuei, pois achava que era uma tendência natural que as coisas melhorassem. A evolução viria com a experiência e minha proposta tendia (e tende ainda) a ser cada vez mais assimilada por eles.
Hoje posso dizer que já começo a colher bons resultados e consegui fazer alunos que tinham medo só de ouvir falar a palavra redação escrever com naturalidade e muito bem. Tudo o que fiz foi dizer para eles escreverem do modo mais natural possível sem preocupar com os erros gramaticais, tendo como foco as ideias. Eu disse também que todos eram capazes de fazer isso, bastando um pouquinho de vontade para levar tal tarefa a cabo.
Houve evolução, mas ainda muito que melhorar, pois sinto que ainda existem muitos alunos com sérias dificuldades e para que eles consigam acompanhar é necessário um trabalho mais voltado para eles. Muitos avançaram de série em série sem ter um domínio completo da leitura e da escrita e isso tem dificultado um pouco esse trabalho de tentar fazê-los se expressar por escrito.
O trabalho em grupo, com vem sendo feito, é bom para que eles se integrem e aprendam algumas vezes com os supostamente “mais preparados”. O que tem acontecido, porém, é que na maioria das vezes a situação fica meio mascarada, pois muitos deles não participam efetivamente do grupo figurando apenas na lista de nomes. E nós, como professores, obviamente, observamos tal discrepância. Pelo menos eu consigo vê-la com clareza.
Todas essas coisas tem me levado a constantes reflexões e esses “erros” têm sido fundamentais para que possamos buscar a melhor maneira de trabalhar. Devemos evitar estereótipos e preconceitos, pois isso atrapalha bastante a nossa caminhada e hoje sabemos que para acertar temos que “errar muitas vezes”, pois só assim vamos avançando e evoluindo.
É preciso levar em conta finalmente que só erra quem tenta e quem tenta está imbuído da vontade de acertar. Espero ter vontade para tentar sempre, errar muito e acertar algumas vezes até que os acertos comecem a ser mais constantes que os supostos erros. Mas os erros vão sempre nos acompanhar para nos ensinar, pois, afinal, somos humanos e, como tais, passiveis de errar.

Francisco Lima

FOTOS...





















sábado, 25 de dezembro de 2010

O VERDADEIRO ESPÍRITO DE NATAL....

O VERDADEIRO ESPÍRITO DE NATAL

Que este ano traga, no mínimo, para todos nós uma reflexão sobre o verdadeiro significado do NATAL.
Que a solidariedade, a fraternidade, enfim o amor em seu sentido Latu sensu possam unir verdadeiramente as pessoas nesta data tão especial chamada NATAL.
Sabemos que para seguir o exemplo do mestre maior, entretanto, temos que fazer 365 natais por ano, isto é, o nosso amor aos nossos semelhantes deve estar VIVO O ANO TODO, sem que tiremos apenas um dia para dedicar esse amor.
Comecemos aos poucos adotando um comportamento diferente do habitual em que apenas uma letra poderá significar mudança de atitudes. Basta que conjuguemos mais o verbo SER e menos o TER. Se, vez por outra, acrescermos a aquela outras conjugações como DOAR e DAR, por exemplo, em vez de apenas COMPRAR e CONSUMIR, estaremos nos aproximando a passos largos do “VERDADEIRO ESPÍRITO DE NATAL.”
Em suma que o mestre dos mestres possa sempre ser lembrado em sua plenitude e isso significa AMOR AO PRÓXIMO acima de qualquer outra coisa.
Sejamos solidários e com certeza estaremos comemorando adequadamente o “ANIVERSÁRIO DO MESTRE JESUS.”

Francisco LimaQue este ano traga, no mínimo, para todos nós uma reflexão sobre o verdadeiro significado do NATAL.
Que a solidariedade, a fraternidade, enfim o amor em seu sentido Latu sensu possam unir verdadeiramente as pessoas nesta data tão especial chamada NATAL.
Sabemos que para seguir o exemplo do mestre maior, entretanto, temos que fazer 365 natais por ano, isto é, o nosso amor aos nossos semelhantes deve estar VIVO O ANO TODO, sem que tiremos apenas um dia para dedicar esse amor.
Comecemos aos poucos adotando um comportamento diferente do habitual em que apenas uma letra poderá significar mudança de atitudes. Basta que conjuguemos mais o verbo SER e menos o TER. Se, vez por outra, acrescermos a aquela outras conjugações como DOAR e DAR, por exemplo, em vez de apenas COMPRAR e CONSUMIR, estaremos nos aproximando a passos largos do “VERDADEIRO ESPÍRITO DE NATAL.”
Em suma que o mestre dos mestres possa sempre ser lembrado em sua plenitude e isso significa AMOR AO PRÓXIMO acima de qualquer outra coisa.
Sejamos solidários e com certeza estaremos comemorando adequadamente o “ANIVERSÁRIO DO MESTRE JESUS.”

Francisco Lima

terça-feira, 2 de novembro de 2010

OS GRANDES ÍDOLOS SÃO ATEMPORAIS...

Os grandes ídolos são atemporais

Vendo vídeos de uma seleção aleatória de monstros da musica fiquei a pensar nos muitos dramas e sofrimentos que carregam esses ídolos que tanto marcaram o nosso passado e continuam vivíssimos no presente, pois substituí-los é quase impossível.
Os que partiram foram seres que, tal como nós, tinham as suas fragilidades que eram bastante potencializadas pelo peso da fama. Não deve ser fácil suportar tanta pressão e até entendo quando alguns decidem isolar-se só para ter um pouco de privacidade, coisa que eles começaram a perder pouco a pouco desde que se tornaram famosos.
Muitos desses “ídolos” não escondem o que se passa no seu interior nem quando estão no palco e as vezes podemos ver e tentar deduzir o quanto estão sofrendo. É difícil não se emocionar ao ver Elis Regina naquela interpretação antológica de atrás da porta em que chora tanto que a sua privilegiada voz fica embargada por um bom tempo. Ela, porém não para de cantar e o resultado é uma rara interpretação que só os grandes ídolos são capazes de nos proporcionar.
Emociono-me muito também quando vejo no vídeo o The Carpenters cantando uma musica como Rainy Days And Mondays, por exemplo, e fico pensando como essas divas da musica deixaram fãs mundo afora e deixaram também um vazio muito dificil de ser preenchido, pois eram unicas naquilo que faziam. Elas não apenas cantavam muito e facil, mas interpretavam com maestria e emocionavam a todos que tivessem o privilegio de assistí-las.
A nossa saudosa Elis foi ainda melhor que karen carpenters, já que fazia questão de se entregar quando estava no palco. Apenas ficamos tristes quando nos damos conta de que muitas vezes essas sumidades no palco morrem precocemente e em circunstancias trágicas que envolvem em alguns casos o uso de drogas, remedios, tranqulizantes entre outras coisas. A morte de karen carpenters foi de anorexia nervosa aos 32 anos de idade, isto é, ainda na flor da idade quando ainda poderia nos presentear com muitas cançoes interpretadas pela sua belissima voz. Uma obsseção doentia pela magreza acabou destruindo uma carreira das mais promissoras na área musical.
Elis Regina, simplesmente consideradada a melhor cantora brasileira de todos os tempos, foi encontrada morta, aos 36 anos de idade. Ela estava trancada em seu quarto e o laudo apontou uma possivel combinação de alcool e cocaina. Até hoje não surgiu ninguém que possa ser comparado(a) a essa divina cantora. Esperamos que ela continue cantanto e encantando onde quer que esteja!
Outra diva da nossa musica a inesquicivel Clara Nunes Morreu em 02 de Abril 1983, depois de 28 dias de agonia, hospitalizada após um choque anafilático ocorrido durante uma cirurgia de varizes. Ela estava prestes a completar 40 anos, isto é, morreu muito jovem também.
Outros grandes ídolos seguiram no mesmo caminho como Elvis Presley que morreu de overdose de remédios e muitos outros como Janis Joplin e Jimi Hendrix que acabaram sucumbindo pelo uso excessivo de drogas. Esse círculo vicioso parece uma sina que persegue muitos daqueles que são alçados à condição de ídolos pelo seu indiscutível talento.
Mas a habilidade e a maestria naquilo que fazem não lhes garante o equilíbrio emocional necessário para se livrarem das armadilhas das drogas, do alcoolismo, dos comprimidos e muitas outras substâncias que podem levá-los a encerrar uma carreira brilhante de forma precoce ou até a mesmo levá-los a morte como já aconteceu em muitos casos e o mais triste é que isto acontece com cantores (as) atrizes, atores, jogadores de futebol, enfim, com todos aqueles que foram alçados à condição de ídolos e tornaram-se famosos, algumas de forma repentina.
Muitos desses artistas de indiscutível talento ainda estão brilhando, mas percebemos que suas carreiras podem estar definhando pelo mesmo motivo que vitimaram os seus ídolos do passado. Um grande exemplo disso é o da cantora Whitney Houston que, na minha opinião é um dos maiores talentos dos últimos vinte anos e que volta e meia aparece na mídia devido ao excessivo uso de drogas. Esperamos que ela dê a volta por cima e continue por muito tempo nos brindar com seu talento.
Para nós, os simples mortais, restam as recordações de como brilharam esses ídolos do passado nos melhores momentos das suas, não poucas vezes, curtas carreiras. Na maior parte das vezes esse curto tempo não os impediu de deixar um grande legado para a posteridade.
Esperamos que os jovens de hoje, com o acesso fácil uma grande quantidade de mídias, conheçam bem o talento desses ídolos do passado. Eu sei que muitos já os cultivam mesmo sem tê-los conhecido.
Entretanto, como não somos ingênuos, sabemos que essa recorrência no uso de drogas, comum em muitos dos grandes ídolos do passado e do presente acabam influenciando muitos desses jovens que cada vez mais cedo entram nessa viagem sem volta que é o mundo das drogas.
Francisco Lima

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

AINDA SOU PT E ME ORGULHO DISSO...

É incrível como as vezes nos deixamos levar pelo discurso alheio que pode ser motivado por interesses de grupos que não querem compartilhar alguma coisa. No caso da política, se vivemos em uma democracia, essa coisa que deve ser compartilhada é o poder. Sabe-se que quando repetidas muitas vezes as palavras tendem a ganhar status de verdade, ainda que esteja longe de sê-lo. Ainda mais quando se utiliza a força da imprensa para reforçar essa suposta verdade.
Uma instituição poderosa como a igreja católica, por exemplo, não pode ser toda ela condenada pelos desvios cometidos por alguns de seus membros. Mesmo que sejam muitos os casos de desvios, ainda assim não dá para condenar a instituição como um todo. Onde há seres humanos em grande quantidade é impossível manter-se o controle de todos e garantir que nunca acontecerão desvios de qualquer natureza.
Toda e qualquer instituição, seja ela de que natureza for tem ou pode ter um dia, já que é controlada por seres humanos, que como tais são passiveis de erros, problemas de casos de desvios sem que qualquer pessoa racional pense em acabar com essa instituição pelos erros cometidos por alguns de seus membros.
Um clube de futebol, por exemplo, que tem ou já teve casos de corrupção entre seus dirigentes ou funcionários, deve ser condenado pelos seus torcedores e estes últimos devem mudar de clube devido a esses casos de corrupção? Sem duvida que não, pois os dirigentes e funcionários passam e o clube permanece.
E um partido político, deve ser condenado pelos desvios de alguns de seus membros e nesse sentido cair no descrédito total ou pode-se usar o mesmo critério do clube de futebol? Acredito que nesse caso não pode haver diferença e tanto o partido político, quanto o clube de futebol ou qualquer outra instituição não podem cair em total descrédito devido a desvios cometidos por alguns de seus membros. Afastam-se as pessoas que cometeram os desvios e corrige-se o que está errado.
Muitos partidos tem em suas fileiras pessoas que se envolveram em graves casos de corrupção como no caso de Valérioduto mineiro (PSDB), em que Eduardo Azeredo recebeu ajuda (caixa 2) em sua campanha do mesmo Marcos Valério que posteriormente passará a ser conhecido nacionalmente. Nesse mesmo episodio o então candidato a deputado federal Aécio Neves teria recebido R$ 110 mil da campanha de Azeredo. Isto é todos esses fatos aconteceram desde 1998 e não foram devidamente investigados naquela época. Existe também o caso do mensalão do DEM em Brasília entre muitos outros.
Até então, quase não se associava assim de forma tão direta e ostensiva o nome do partido aos atos de corrupção de alguns de seus membros. Não sei ao certo se a imprensa começou a associar o partido como instituição aos atos de corrupção de alguns dos seus filiados justamente quando o PT chega ao poder. O que posso observar é que com a chegada do Partido dos Trabalhadores ao poder e após as primeiras denuncias de corrupção, a imprensa sempre associou as denuncias feitas por ela ao PT, fazendo questão de tentar colocar o “povão” contra o partido. Isso talvez ela nunca tenha feito antes. Será que todas essas coisas são meras coincidências? Acredito sinceramente que não!!
Muitas dessas denúncias nunca foram comprovadas e o Freud Godoy, ex-assessor pessoal do presidente Lula, acusado injustamente do esquema de uma suposta compra de um dossiê com informações contra os tucanos no período pré-eleições de 2006 é um de muitos outros em que a imprensa errou e jamais se retratou.
Vale dizer que a imprensa estava, como sempre, do lado tucano e, nesse sentido, acabava aceitando muitas denúncias sem uma comprovação séria de veracidade, desde que tais denuncias fossem contra o PT, de preferência envolvendo diretamente o presidente Lula. Claro que ficou na saudade, pois jamais conseguiu nada que envolvesse diretamente a figura do presidente!
Acredito que foi sempre proposital a ideia de a imprensa tentar colocar a população contra o PT, apontando-o como responsável por todos os atos de corrupção acontecidos durante o governo Lula. Em todos os governos anteriores houve muitos casos de corrupção, mas nunca vi a imprensa noticia-los com tanta insistência e principalmente buscando uma forma de fazer uma instituição cair em total descrédito junto à população.
É positiva a divulgação de atos de corrupção na imprensa desde que sejam comprovados e verdadeiros. O que não é ético e nem positivo, na minha opinião, é um posicionamento tão evidente da maioria da imprensa ao lado desse ou daquele candidato ou partido como tem acontecido há muito tempo.
Dar a desculpa de que o PT se considerava o partido mais ético para tentar linchá-lo junto à opinião publica não cola, pois, como já disse, onde há seres humanos, principalmente quando os há em grande quantidade, é totalmente impossível se ter o controle de todas as ações praticadas de todos os membros de determinado grupo ou partido.
Assim, considero que sempre foi uma covardia da imprensa tentar o descrédito do PT junto à população. Ainda bem que ela não foi tão bem sucedida no seu intento e o PT só fez crescer a despeito de todas essas tentativas de linchá-lo e apesar dos muitos erros cometidos por políticos que se mostraram indignos de fazer parte da legenda, considero que das opções que se apresentam no momento, o PT ainda é e será por muito uma das melhores escolhas de partido político no Brasil, pois muitos dos grandes nomes que ajudaram a fundá-lo como Aloísio Mercadante e Eduardo Suplicy, por exemplo, por lá ainda permanecem e sabem que o partido como instituição está acima dos erros de alguns políticos que por eles passaram.
Por tudo isso, ainda sou PT e me orgulho disso.

Francisco Lima

domingo, 29 de agosto de 2010

A CULPA, O MEDO, O FANATISMO RELIGIOSO....

A culpa, o medo, o fanatismo religioso....
Quem já não se sentiu culpado uma vez ou outra na vida? Às vezes nos deixamos levar pela empolgação de um gole a mais e quando nos damos conta já passamos de um limite recomendável ou do limite socialmente aceitável. Nesse estado, vez por outra, a empolgação pode nos levar a falar determinadas coisas ou cometer determinados atos que dificilmente aconteceriam se estivéssemos no “juízo perfeito.”
Mas, as vezes, tudo pode ser resolvido com um pedido de desculpas que, em tese, nos livraria da culpa pelo arrependimento dos atos praticados, dependendo da gravidade desses atos.
No entanto, o medo e a culpa sempre foram utilizados pelas religiões para incutir nos seres humanos a necessidade deles se afastarem das chamadas tentações que poderiam levá-los a cometer pecados. O medo dos desvios levaria supostamente à melhoraria de conduta, mas depois do erro cometido sobrevém a culpa que pode não durar muito no caso dos católicos, pois as prescrições podem variar chegando a algumas centenas de padre nossos e ave-marias que tendem a expurgar ou deletar os pecados se eu me utilizar um termo mais atual.
Em suma, na sua essência, a religião está assim, intimamente ligada ao medo de duas formas. Se por um lado, usa-o para alimentar a fé dos fieis; por outro, é fomentada pelo irracional medo do desconhecido inerente à natureza humana. Isto é, vivemos com medo do fogo do “inferno” e tentamos amealhar virtudes para que possamos habitar o paraíso dos justos pela a vida eterna. Ainda que as virtudes sejam apenas aparentes, o que acontece muitas das vezes em nossa sociedade em que as pessoas são o que parecem ser.
No entanto, o medo de “cometer pecados” segundo o que seria pregado pela “visão tradicional” de algumas religiões ocidentais leva muita gente à paranoia e não poucos a interpretações errôneas sobre o verdadeiro sentido do que seriam as religiões.
A paranoia moderna é o fanatismo que está deixando muita gente perturbada e muitos chegam verdadeiramente à loucura por essa razão. Com essa deturpação ou interpretação equivocada do verdadeiro espírito religioso, muitas pessoas estão se tornando intransigentes, intolerantes e até mesmo agressivas com quem não comunga da sua mesma fé.
É perigoso demais esse fenômeno que vem se alastrando como um rastilho de pólvora sendo propagado por pessoas intelectualmente e emocionalmente despreparadas e que só enxergam a oposição maniqueísta bem e mal que se opõem de maneira absoluta. Tal visão é uma distorção e um reducionismo grosseiros do verdadeiro sentido do que seriam as religiões.
De acordo com alguns estudiosos, o fanatismo pode florescer, sobretudo no âmbito do ressentimento, da revanche, da superação de uma humilhação. E ainda mais se os ressentidos julgam que se trata de uma humilhação injusta e indevida, sobretudo em contraste com um período de esplendor perdido e que deve ser recuperado a todo custo. O quadro se completa se, além disso, for possível identificar um inimigo (real ou imaginado), responsável pelo atual período de decadência.
Jean Lauand, Prof. Titular da Univesidade do Porto em portugal nos dá o belo exemplo que explica de certo modo o que está no paragrafo anterior. Segundo ele:
“Hitler não era meramente um desequilibrado que por métodos de terror enganou o povo alemão. Hitler apresentava-se como a real esperança de uma Alemanha humilhada e ressentida pelo esmagador Tratado de Versailles que lhe fora imposto (cabe lembrar que, em certos meios cristãos, Hitler era bem visto: por exemplo, Julián Marías conta em suas memórias que na Espanha oficialmente católica pós-guerra civil: “Hitler e Mussolini eram os ‘salvadores da civilização ocidental’ e piedosas senhoras punham o retrato de Hitler ao lado da imagem de Nossa Senhora do Pilar. A encíclica de Pio XI Mit brennender Sorge, contra os erros e perigos do nacional-socialismo, era proibida”; para aquele catolicismo oficial, o Führer era visto até mesmo como o “salvador da cristandade”).”
Muitos outros horóis às avessas surgem por aí e são aclamados e endeusados pelos povos oprimidos que, muitas vezes, já não têm esperança de uma vida melhor. Bin Laden também pode ser apontado com um exemplo desse tipo.
Aliás, um dos pontos chaves, a meu ver, está no sofrimento, na opressão, na miséria etc. que leva esse povo carente de tudo a acreditar em muitos charlatãos que surgem de tempos em tempos pregando um céu exclusivo para os seus seguidores.
São os novos milenarismos que surgem justamente em um tempo de prufunda descrença e desesperança. Talvez por isso mesmo tais pregadores obtenham sucesso em sua empreitada, mesmo sendo os seus discursos desprovidos de profundidade e até mesmo de coerência em alguns casos.
Os conceitos de liberdade e religião são disctitidos pelo mesmo professor citado acima que assevera:
“Quanto mais glória, quanto mais história, quanto mais orgulho tiver havido antes da decadência, quanto mais “indevida” for a situação de miséria atual, tanto mais êxito fácil alcançará o líder que souber canalizar os ressentimentos da massa que, guiada pela retórica e pelos resultados espetaculares da seita ou do movimento, não se importará muito com a supressão da liberdade e a falta de ética dos métodos utilizados. Afinal, o grupo de eleitos está numa missão e eles são os “autênticos fiéis”, a militância de Deus.”
E prosegue afirmando:
“Há alguns ingredientes que podem catalisar e agudizar essa consciência de revanche de Deus por parte de instituições radicais: o anúncio, mais ou menos velado, da proximidade do fim do mundo - uma constante nos fanatismos cristãos, embora o próprio Jesus Cristo, quando perguntado, alegou não saber quando ocorreria (Mt 24, 36) -, a propensão a difundir disparatadas “profecias” e “aparições” que “confirmem” os “sinais” de que o fim dos tempos está muito próximo e o “Anticristo” já está circulando por aí... sinais que, como era de esperar, incluem a “imoralidade nunca vista” dos nossos tempos. É o ressentimento contra a secularização, a mídia, o mundo, que erradicaram o sagrado e o hostilizam...”
Diante de tudo o que foi exposto, dá para se ter uma noção do perigo representado pelo fanatismo religioso. Muitas vezes, as pessoas fanáticas perdem a capacidade de pensar racionamente e levam quase tudo para o âmbito da sua fé. Todos os que não comungam da sua religião, não raro, são vistos como inimigos em potencial.
Nesse sentido, o Deus vingador expresso em algumas partes da biblia como na passagem de atos 17 que diz:
(“...) A ira de Deus está sendo “reservada” e está para ser direcionada para aqueles que rejeitam a revelação de Deus sobre Ele mesmo.”
Esse Deus que se vinga daqueles que o rejeitam se encaixa como uma luva no discurso radical e irracional desses “pregadores da boa nova.”
Mas a sociedade contemporânea já é suficientemente complicada e cheia de culpas e medos para que busquemos ainda mais sofrimentos ancorados num suposto sentido religioso. Vivemos cheios de fobias (medos) e criamos verdadeiros monstros como a síndrome do pânico que além do medo nos tira o que é fundamental para qualquer ser humano que é a liberdade.
Trabalhamos muito para dar boa educação e tudo do bom e do melhor para a nossa família, mas ficamos culpados por não termos muito tempo para os nossos filhos que muitas vezes crescem sem nos darmos conta disso. Temos que conciliar muitos afazeres (principalmente as mulheres) e muitas vezes não temos tempo suficiente para dar conta de tudo.
Enfim, não precisamos buscar outras formas ou maneiras de nos tolhermos em uma sociedade que já não nos dá o direito à liberdade devido à banalização da violência e na qual o medo e culpa já está presente no cotidiano de quase todos nós.

Francisco Lima

quinta-feira, 8 de julho de 2010

A TEOLOGIA DA LIBERTAÇÃO, AS IGREJAS e O PODER NA AMÉRICA LATINA...

A teologia da libertação, as igrejas e o poder na America latina.

Vendo a “alienação política” a que chegamos, pelo menos no Brasil de hoje, sinto saudades dos tempos em que a tão poderosa igreja católica (junto com alguns seguimentos protestantes) , eram engajados na America latina, nas questões sociais e políticas. Nesse período, a preocupação principal dos teólogos engajados era libertar o povo pobre e oprimido da secular exploração, dando-lhes a principal ferramenta para se libertar desse domínio que é a conscientização.
Pena que eu ainda era muito novo no final dos anos setenta e começo dos oitenta para compreender a extensão desse magnífico trabalho iniciado por grandes nomes como Paulo Freire e Leonardo Boff e empreendido por muitos intelectuais que acharam que a situação poderia mudar se dessem vez e voz aos trabalhadores, as donas de casa e a todos aqueles quisessem buscar o seu espaço em uma sociedade que então se fortalecia com o começo da abertura política.
Essa mesma sociedade, entretanto, permanecia muito injusta e os políticos no poder eram apenas um reflexo dela representando, como sempre, os interesses dos bem nascidos. Dessa forma, uma mudança radical se fazia necessária para contemplar os mais diversos segmentos sociais que necessitavam de representação política.
Com a abertura política no Brasil, vislumbrava-se a possibilidade de que esses segmentos sociais historicamente alijados do poder pudessem finalmente ter a sua chance de ser representados na política para que o país se tornasse uma democracia de fato. Caso isso não acontecesse continuaríamos com as seculares desigualdades que infelizmente é uma marca da nossa sociedade herdeira do escravismo, do latifúndio etc.
Leonardo Boff, Paulo Freire e os muitos intelectuais que aspiravam uma sociedade mais justa não encontraram um espaço mais adequado para discutir as questões sociais e políticas. As igrejas talvez fossem o lugar mais seguro, pois, a partir de 1964, os militares tomaram o poder no Brasil e não admitiam nenhum tipo de reivindicação ou contestação. Na America latina também sucediam os golpes militares nesse período.
Enfim, buscava-se apenas fugir ao controle de governos que se impunham pela força e perseguiam sistematicamente qualquer tipo de manifestação de cunho político ou ideológico. Paulo Freire fora taxado de subversivo por ter como meta não apenas a alfabetização dos trabalhadores, mas também a sua conscientização.
Em suma, as igrejas tornam-se um rico espaço de debates políticos e sociais e servem de laboratórios para o surgimento de grandes lideranças políticas surgidas não apenas entre os intelectuais, mas entre os trabalhadores também. Eram os espaços onde se poderia gestar uma sociedade verdadeiramente democrática.
Acredito que talvez esses tenham sido espaços privilegiados onde, na efervescência dos fins dos anos setenta, no caso brasileiro, discutia-se a criação de um partido só para os trabalhadores. Não há como negar a importância desses espaços nos debates políticos nacionais.
Entretanto, quando falamos da igreja católica no Brasil, não podemos deixar de lembrar que ela está subordinada à sua matriz romana e como tal deve seguir as recomendações vindas de lá. Cedo ou tarde, esses “teólogos subversivos” teriam que prestar contas a Roma, explicando o porque desse interesse contínuo pelas causas dos menos favorecidos.
Não podemos deixar de lembrar que alguns seguimentos protestantes também faziam parte desse “movimento de libertação dos pobres” e igualmente que os conservadores protestantes, por seu turno, também voltar-se-iam contra o perigo que poderia representar essa conscientização dos menos favorecidos.
Isso também não era interessante para a igreja católica como instituição, pois todas essas coisas poderiam gerar insatisfações nas camadas mais privilegiadas da população e talvez não fosse bom para a igreja dar apoio a causas contrárias a sua postura que quase sempre foi conservadora.
Enfim, por causa dessa ousadia de querer dar voz aos pobres, Leonardo Boff, fundador e principal representante da teologia da libertação foi perseguido e “julgado pelo vaticano” sem direito de defesa. Segundo o próprio Leonardo Boff, em uma entrevista, tal perseguição começou em 1982 quando ele escreveu o livro Igreja: carisma e poder, no qual aplicava as intuições da teologia da libertação às condições internas da Igreja. No livro, ele denunciava a opressão da mulher, o atropelo dos direitos humanos, a concentração de poder nas mãos do clero e o controle severo das doutrinas.
“A teologia da libertação é um movimento teológico que quer mostrar aos cristãos que a fé deve ser vivida numa práxis libertadora e que ela pode contribuir para tornar esta práxis mais autenticamente libertadora (MONDIN, 1980, p. 25). Neste sentido, o cristão é impelido a viver a práxis libertadora nas diversas épocas da história.”
O termo libertação foi cunhado a partir da realidade cultural, social, econômica e política sob a qual se encontrava a América Latina, a partir das décadas de 60/70 do último século. Os teólogos deste período, católicos e protestantes, assumiram a libertação como paradigma de todo fazer teológico.
De acordo com mesmo autor citado acima, O marxismo passa a ser a filosofia predominante na análise sócio–analítica feita pela teologia da libertação. Porém, o marxismo é utilizado como instrumento, não tendo fim em si mesmo. “Na teologia da libertação o marxismo nunca é tratado em si mesmo, mas sempre a partir, e em função dos pobres” (Ibidem, p. 45). O sentido último da teologia não é Marx, mas Deus.

O argumento de que o marxismo tomara conta da igreja era o que faltava para que os conservadores entrassem em cena para acabar com essa farra dos pobres que queriam apenas participação política, isto é, ansiavam pela democracia em seus países. Na America latina, entretanto, predominavam regimes autoritários e tais aspirações dificilmente seriam realizáveis em tais regimes.

Enfim, voltando a Leonardo Boff: ele recebeu um processo judicial junto à ex-Inquisição presidida pelo Cardeal J. Ratzinger ( futuro Bento XVI) em 1984 e sentou na mesma cadeira onde sentou Galileu Galilei e Giordano Bruno e durante três horas foi interrogado pelo Cardeal. Depois foi punido, pois lhe impuseram o silêncio obsequioso, uma espécie de silêncio penitencial, foi deposto da cátedra de teologia sistemática e ecumênica e proibido de escrever e publicar.
O próprio J. Ratzinger já havia condenado a teologia da libertação em artigo falando sobre o assunto. Para ele, essa nova corrente teológica tinha o seguinte significado:
“A libertação, para a teologia da libertação, é conquistada pela via política, e não pela Redenção de Jesus, o "Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo" (Jo1,29). Jesus veio para "salvar o seu povo dos seus pecados" (Mt 1,21), e disse a Pilatos que “o seu Reino não é deste mundo”. O pecado, para a teologia da libertação, se resume quase que só no "pecado social", mas este, não será "arrancado" com a conversão e com os Sacramentos da Igreja, mas com a “libertação” do povo, pela luta política. Daí o fato de haver um laxismo moral e espiritual em muitos adeptos dessa teologia. Muitos não valorizam a celebração da Missa, a não ser como uma "celebração de mobilização política" do povo oprimido. Não se valoriza suficientemente a oração, a Confissão, a Eucaristia, o santo Rosário, a adoração ao Santíssimo Sacramento, e a todas as práticas de espiritualidade tradicionais, que são, então, consideradas superadas e até alienantes.”
Em resumo, o argumento dos conservadores, tanto católicos quanto protestantes, era a defesa das ritos e cultos tradicionais que estariam sendo subvertidos por essa nova corrente teológica. Não haveriam outros interesses que não fossem os estritamente religiosos.
Entretanto, quer direta ou indiretamente, a defesa dos privilégios dos bem nascidos e até então donos do poder não pode ser descartada, levando-se em conta os posicionamentos que quase sempre são assumidos historicamente no caso da igreja católica. É notória a sua defesa do status quo dos ricos e, acredito eu, não seria dessa vez que assumiria um posicionamento diferente.
Nesse caso, o discurso da igreja e dos protestantes veio bem a calhar para todos aqueles que nunca aceitaram e não aceitam em hipótese alguma dividir um pouco do muito que têm com uma polução de milhões de famintos. Essa população tendo representantes no poder significaria uma ameaça aos muitos privilégios desses eternos donos do poder na America latina e tal mudança na situação vigente não poderia interessar a elite que foi beneficiada, talvez não por acaso, pelo discurso conservador dos religiosos. E a posição dos conservadores, como quase sempre acontece, acabou prevalecendo.

Francisco Lima